Linux e o tempo

Eu tenho uma tese. Sim! Uma daquelas teses que aparentemente não têm fundamento algum mas que de certa forma tem sim. Talvez! É só parar e pensar comigo. Eu vou destrinchar algumas coisas logo em seguida e você pára pra pensar se eu tô ficando louco ou se isso realmente acontece. Parece coisa de criança mas não é. É uma simples teoria que pode sim explicar o porque do Linux não ter deslanchado no desktop até hoje. O ser humano tem a capacidade impressionante de tornar complexo algo que poderia ser simples. Então criam-se teorias das mais bizarras possíveis para explicar uma coisa que, acredito eu, pode ter sido realmente o motivo de outros sistemas operacionais terem feito muito mais sucesso que o Linux. Vamos então aos fatos.

O tempo

Uma das maiores dificuldades do ser humano moderno é a gestão do tempo. À medida que os anos se passam, nós temos a vida cada vez mais corrida. A era da informatização acelerou tudo. Tudo ficou mais rápido. Os transportes, a telecomunicação, o processamento de dados e até o nosso dia passa mais rápido nos dando a sensação de que o dia não tem mais 24 horas. Nesse cenário, estamos constantemente com falta de tempo para exercer os nossos papéis na sociedade. Os pais não têm mais tempo para criar os filhos, você não tem mais tempo para estudar, não tem mais tempo para cultivar um relacionamento amoroso saudável, etc. E isso tudo gera uma consequência catastrófica em nossa sociedade. A sociedade fast-food. Tempo para se alimentar? Isso é coisa de vagabundo. Hoje nem almoçamos, e quando o fazemos, é em cima de um teclado de computador.

Em torno dessa correria, surge uma indústria que identifica isso como uma oportunidade de negócio. Os alimentos estão cada vez mais industrializados. Ninguém tem tempo de preparar uma comida, não é mesmo? O microondas é nosso amigo. Prepara coisas em 2 minutos. Isso quando você já não compra pronto. Os correios ninguém usa mais. Emails são mais rápidos. Tempo para praticar um esporte é nulo. Qualidade de vida pra quê? Temos tempo nem de dormir. Precisamos fazer a máquina continuar funcionando. E cada vez mais veloz. Às custas da nossa saúde, da nossa sanidade mental, da nossa família. Pagamos um alto preço pelo ‘progresso’. Tá! Mas você deve estar me perguntando: e o Linux com isso? Você que teve tempo para ler até aqui, e que usa Linux, sabe muito bem que o Linux é um sistema operacional onde o usuário tem total liberdade para fazer dele o que bem entender. Isso leva um tempo. Tempo para aprender como sobreviver em um novo mundo. Novos comandos, nova linguagem, toda uma nova lógica por detrás do Linux é preciso aprender para utilizá-lo.

Linux

Se você acompanhou toda a explanação, você já deve estar sacando onde eu quero chegar. Então vamos ao usuário comum. Um ser humano normal hoje trabalha em média 10 horas do dia. Perde 4 horas se locomovendo pela cidade. Dorme 8 horas. Sobraram apenas 2 horas. O que fazer com essas 2 horas do seu dia? Essa é a chave do segredo. O que você faz com essas 2 horas do seu dia tem o poder de mudar o rumo da sua história. Mas voltemos ao ser humano comum. Normalmente ele usa esse tempo para o lazer. Lazer hoje em dia quando se está em casa deixou de ser assistir televisão. Vide fenômeno Facebook. Quando chega a noite, a lista de pessoas online nas redes sociais só aumenta. Mas nós não estamos aqui para falar de redes sociais. Estamos aqui para falar de COMO essas pessoas acessam essas redes sociais. Me atrevo a dizer que 90% delas estão sob a plataforma Windows. Me atrevo a dizer que 8% estão em dispositivos portáteis ou produtos da Apple. Pouco importa realmente esses números. O que nos importa aqui é saber porque o Linux não tem participação nisso. E eu tenho uma explicação: falta de tempo.

Amigos desenvolvedores para Linux. Ouçam muito bem o que eu vou lhes falar. Enquanto o nosso querido sistema operacional exigir do usuário médio um conhecimento acima da média para executar suas tarefas simples um tempo maior do que eles estão propensos a gastar, nada vai mudar. O entrave já começa na instalação do sistema. Se não for um processo autoexplicativo, já perdemos a maioria dos que um dia cogitaram a hipótese de usar Linux. E isso se alastra mais e mais. Em sua essência o Linux é um sistema aberto que dá ao usuário o controle total e a liberdade. Isso naturalmente faz com que apenas usuários avançados consigam sucesso na interação com ele. O usuário médio quer apertar 1 (HUM) botão e VOILÁ! Pronto. Consegui acessar o email, consegui entrar no aplicativo do Facebook, consegui mandar uma foto para a minha rede social predileta que já está integrada ao meu sistema para que eu não perca meu TEMPO que é curto nessa tarefa. Entendem? Isso já é uma realidade no iOS, no Lion OSX, no Windows 8, no Windows Phone mas no KDE, no GNOME e em todas essas siglas do mundo Linux, não é. Só deixam o usuário mais confuso, mais perdido no meio de tantas opções. Tantas dependências, tantos bugs bobos.

Helbert Rocha

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