Linux, software pago e uma pitada de falsidade

Nos últimos dias temos visto que a Canonical está tentando incentivar os desenvolvedores a criarem software. Isso tudo leva a crer que será feito em troca de pagamento visto que a Canonical já deixou muito claro que segue a linha de modelo de negócio da Apple. A ideia de trazer mais softwares é certamente boa, mas fazer os usuários pagarem alguns dólares certamente é mudar o estilo que sempre marcou o Linux porque esses usuários usam software livre há anos.

Mas é livre ou proprietário? Pago ou gratuito?

O GNU/Linux nasceu para ser livre, disponível para todos e gratuito. O problema é que hoje em dia poucos de nós usam um sistema operacional completamente livre. Na verdade, a maioria de nós usa drivers proprietários para placas gráficas, plugins para a visualização de conteúdos multimídia, softwares como o Skype, etc. Tudo isso significa que o GNU/Linux é usado mais de acordo com a conveniência e funcionalidade na visão do usuário do que com questões ideológicas como a preocupação com licenças.

Os custos de desenvolvimento de software existem e são uma verdade inegável. Mas não vamos esquecer que o Linux é feito por uma grande maioria de desenvolvedores trabalhando de graça só porque eles acreditam em um projeto. Então por que não receberem também? Alguns sugerem cobrar uma taxa de distribuição. É uma boa ideia, mas quem vai comprar? O mundo Linux está lutando todos os dias contra outro sistema operacional “gratuito” chamado Microsoft Windows porque para a grande maioria dos usuários do Windows (domésticos) ele é gratuito e adquirido facilmente na internet por meios ilegais.

Pessoas que compram o Windows são as empresas. Propor uma cobrança de software livre não vai ser a solução para competir com o software proprietário crackeado. A solução é manter a qualidade do software livre como tem sido até agora e tentar fazer com que as pessoas mudem seu estilo de vida (que é muito difícil). Podemos fazê-lo se unindo para combater a pirataria. Este sim é o mal que faz com que todo o sistema proprietário não seja abalado porque existe uma coexistência pacífica entre inimigos que precisam um do outro para sobreviver. É como o Batman que precisa do Coringa, embora o Batman diga que o Coringa é um inimigo e que ele Batman toma todas as medidas para acabar com seu inimigo. Mas isso nunca acontece e você assiste a tudo isso. Alguma solução?

Helbert Rocha

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  • Cleiton Lima
    Firefox 6.0.2 Firefox 6.0.2 no GNU/Linux x64 GNU/Linux x64

    Olá, Helbert, bem interessante o post. E mais ainda o debate de ideias que ele pode causar, parabéns pela iniciativa. 😉

    Em relação a Canonical, com a adoção do Unity por padrão e ficou bem clara a estratégia da empresa de se distanciar das outras distros GNU/Linux visualmente, num primeiro momento.

    Com esse incentivo aos desenvolvedores, é bem possível que seja criada um “ecossistema” pago (ou não) ao redor da distro, afastando-a mais ainda das outras.

    Não sei se a Canonical chegaria ao ponto de cobrar pelo Ubuntu em si, mas é bem provável que ela vá intensificar o incentivo ao desenvolvimento de programas pagos (exclusivos?) para tirar sua parte de $$$ com eles.

    Abraços.

  • Chromium 12.0.742.112 Chromium 12.0.742.112 no Ubuntu 10.04 Ubuntu 10.04

    Cobrar pelo Ubuntu? Acredito que a Canonical não fará isso, pois no site do Ubuntu está … “Ubuntu is, and always will be, absolutely free”…
    Como você falou a Canonical está seguindo os moldes da Apple para ganhar uma comissão de distribuição dos softwares pagos. Dai fica por conta do usuário, caso queira pagar pelo software ou procurar uma alternativa livre.

    Agora, se a Canonical começar a cobrar pelo Ubuntu, dai vai ser o fim… será um tiro no pé, estaria traindo toda a comunidade. Eu seria um dos primeiros a abandonar o Ubuntu.

    • Fernando Garrido
      Google Chrome 16.0.912.63 Google Chrome 16.0.912.63 no Windows 7 x64 Edition Windows 7 x64 Edition

      Sem entrar no mérito de certo ou errado: a citação feita do site do Ubuntu (de que a distro será sempre free) gera uma interpretação meio dúbia, pois o termo free em inglês tanto significa livre como gratuito, e uma das maiores discussões no mundo do software livre é essa confusão sobre estes significados. Portanto, não seria de todo estranho a Canonical passar a vender o Ubuntu, pois poderá alegar que o S.O. continua livre, isto é, tem código aberto, podendo ser modificado como se queira.

      Note-se que não estou defendendo a Canonical nem tomando partido do posicionamento de A, B ou C, apenas estou relatando a minha percepção sobre o comentário (aliás, bem observado) do amigo acima.

      Em tempo: uso Ubuntu desde sua primeira versão (Ubuntu 4.10 Warty Warthog) e gostaria muito que ele continuasse gratuito e livre.

      Abraços a todos.

  • André Gondim
    Firefox 7.0 Firefox 7.0 no GNU/Linux GNU/Linux

    É bem simples apenas falar ideias, seria legal se basear em fatos e argumentos, dá uma lida e,:

    http://br-linux.org/2011/estatisticas-quem-sao-os-maiores-contribuidores-do-kernel-linux-3-0/

    https://lwn.net/Articles/451243/

    Abraços e boa sorte. 😉

  • Silvio Pinheiro
    Google Chrome 14.0.835.186 Google Chrome 14.0.835.186 no Windows 7 x64 Edition Windows 7 x64 Edition

    olha, creio que as coisas boas devam ser pagas e não apenas as ruins. Acho ótimo a idéia de comprar softwares como na apple store. Qual o problema com o pagamento de softwares? Se a Canonical cobrasse uns 30 reais pelo software numa caixinha com DVD e manual em portugues, compraria sem problemas.

  • Eric Ulisses
    Firefox 5.0 Firefox 5.0 no GNU/Linux GNU/Linux

    Particularmente não vejo problema em pagar alguns dollares/reais e softwares, acho até justo, desde que sejam bons e que o preço seja viável não só em paíse de primeiro mundo, mas também em países emergentes. Um exemplo: Se tivesse o Photoshop e Dreamweaver para Linux eu compraria a licença, dependendo do valor é claro. Uso VM e é um saco. E sem aquela de que o GIMP é ótimo, não existem softwares no mercado que se comparem ao Photoshop e ao Dreamweaver em termos de recursos e praticidade, já cansei de procurar e testar, o jeito mesmo para o meu caso que não abandono o Linux é VM.Triste porém real…
    Parabéns pelo post, como sempre se superando.
    Ahhh, não podem cobrar pelo Ubuntu, somente pelo suporte. Até onde entendo.

  • Wendel Silva
    Firefox 7.0.1 Firefox 7.0.1 no GNU/Linux GNU/Linux

    Bom dia amigos,
    sou usuário do Ubuntu a partir da versão 7.10 e vejo que o crescimento do Linux tem sido significativo após a entrada da distro no cenário dos OS. No meu ponto de vista, eu não sou contra a idéia da Canonical em incentivar os desenvolvedores de software a criarem programas para o OS. Acho que o grande problema na verdade não seja nem quais são suas verdadeiras intenções (se é ganhar ou não $$$) mais sim é que em terras Tupiniquins como o Brasil, onde a grande massa já se acostumou-se às facilidades de se adquirir programas crackeados, músicas, jogos e tantos outros através da grande rede.
    Eu por exemplo não me importaria de jeito algum em pagar alguns $$$ por um software do meu interesse, desde que este esteja sendo negociado a um preço justo.
    Acho também que as empresas desenvolvedoras de softwares que possuam uma visão ampla e aberta em relação ao universo Linux, tem plena condição sim de criar alternativas boas e ao mesmo tempo de custo acessível ao usuário final, tudo depende da boa vontade de todos. Um forte abraço a todos!

  • John Madison
    Google Chrome 13.0.767.1 Google Chrome 13.0.767.1 no Windows XP Windows XP

    “Não havia ferramenta para o que eu queria, então escrevi uma”
    Linus Benedict Torvalds