Mir: servidor gráfico e muita confusão

Todos nós sabemos que o Ubuntu é a distribuição mais popular do sistema operacional de código aberto chamado Linux. A Canonical, empresa comercial que supervisiona o Ubuntu, tem o hábito de construir novos componentes para seu sistema a partir do zero. Diversos instrumentos construídos e utilizados pela comunidade de código aberto ao redor do mundo são ignorados e a Canonical prefere por si só desenvolver esses componentes únicos e seus. Agora a empresa está construindo sua própria plataforma gráfica para a execução de uma interface semelhante ao Windows no Linux. Essa estratégia da Canonical pode ajudar a decidir o futuro do Linux em desktops, smartphones e tablets.

O Linux sempre foi um enorme sucesso dentro de centros de dados, servidores e em diversas outras aplicações de negócios mas sempre ficou um pouco defasado em máquinas para escritórios e residências. Com uma interface nova, a Canonical pode finalmente colocar o Linux na crista da onda. Ou pode acabar atirando no próprio pé.

Muitos dos desenvolvedores que originalmente trabalharam no X.org estão agora construindo um novo servidor gráfico para o Linux. Este chamado de Wayland. Uma alternativa de código aberto para o X Windows. Com o Mir a Canonical está boicotando este projeto, o que provocou uma quantidade justa de controvérsia entre a comunidade de desenvolvedores do Linux.

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A adoção do Mir pelo Ubuntu em detrimento do Wayland está causando polêmica e com toda razão. Todos sabem da necessidade de substituir o X11 que já está velho e limitado face às exigências atuais. Acontece que a comunidade Linux já tinha acordado desenvolver um substituto para o X em 2008, o Wayland. E não é só um projeto da Red Hat, tem o apoio da Intel e programadores do velho X11, bem como de praticamente todas as grandes distribuições Linux. Inclusive o Ubuntu manifestou o seu apoio público ao projeto em 2010!

Agora, um display server é a segunda coisa mais complexa que se pode criar depois de um Kernel. Leva tempo e precisa de programadores altamente especializados. O Ubuntu anunciou que na surdina de toda a comunidade Linux esteve desenvolvendo por 9 meses um concorrente ao Wayland, o Mir. Expõe uma série de argumentos técnicos segundo os quais o Wayland é limitado e não serve. Argumentos que foram desmentidos pelos desenvolvedores do Wayland.

Ao que parece, a Canonical não entendeu como funciona o Wayland e quer agora fazer o seu próprio em tempo recorde (1 ano). O que é preocupante aqui é a fragmentação desnecessária de um componente tão essencial. O Ubuntu vai usar o Mir, todas as outras distros parecem ir para o Wayland. Como vamos convencer a AMD, Nvidia e a Intel a suportar tanto o Mir como o Wayland nos seus drivers, bem como continuar a manter suporte ao velho X11? Alguém vai sair perdendo nessa história.

De fato, desde que o Ubuntu decidiu adotar a sua própria interface as decisões e os caminhos do Ubuntu mudaram radicalmente. Sempre teve uma comunidade muito forte à sua volta e esta decisão de seguir com a sua interface teve outras implicações na estratégia da empresa que aos poucos foram sendo revelados. Abandonou o Kubuntu que acabou por ser resgatado pela Blue Systems, agora mais esta decisão de abandonar o Wayland que é um projeto com quase 3 anos. Penso que esta decisão de adotar o Mir à revelia de todos não caiu bem na comunidade. Independentemente da sua qualidade, ninguém põe em dúvida porque o que existe ainda é teoria.

Resumindo, existem alguns programadores que já saíram do Ubuntu e decidiram fazer uma declaração pública chamando a comunidade Ubuntu de uma ilusão e que a Canonical tem uma política egocentrista. O medo da comunidade, e com toda a razão, é que a Canonical venha a se tornar outra Microsoft ou uma Apple.

Helbert Rocha

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  • Ricardo Pedro
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    Não tenho dúvidas que o desejo de Canonical é tentar se tornar uma empresa “de ponta”.
    Agora, se vai chegar lá , são outros quinhentos…
    tenho instalado aqui em casa o 12.04 instalado, pois não achei que o 13.04 está estável o bastante.
    Agora com essa postura da Canonical com o MIR, o jeito é partir para outras distribuições.

  • George Pontes
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    Obrigado pelo artigo. Estava procurando por algum que me ajudasse a entender qual era a polemica do MIR e seu artigo foi bem util.

  • Decayer
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    Eu sempre vi a Canonical querendo ser uma Apple do software livre e essa história se confirma agora. Não que isso seja ruim, desde que mantenha tudo aberto.
    O que vai acontecer vai ser parecido com a “guerra” Gnome X KDE. O resultado disso será fragmentação e evolução. Ser mais fragmentado no mundo Linux é normal, então que seja.
    A evolução será uma tecnologia mais avançada. Seja a dele ou a do outro.
    Veja o que a Apple fez com o WebKit, foi uma boa evolução para todos, quem sabe a Canonical não faça o mesmo.