O que fazer com monopólios e algoritmos

Com a chegada da maturidade da Internet mundial e suas empresas, temos visto uma crescente onda de manipulações de mercado. Empresas que antes estavam sujeitas a competição no mundo real, encontraram um paraíso virtual na grande rede mundial. O que mais encontramos nesse paraíso das empresas são mercados em situação de monopólio absoluto ou mercados em situação de quase monopólio, quando apenas duas ou no máximo três empresas reinam com o mundo a seus pés. E agora, pra “piorar”, entrou no jogo do capitalismo global um atacante de peso no time das empresas: o algoritmo. E agora? O que devemos fazer?

Amazon

Recentemente Google, Facebook e Amazon têm nos mostrado por que a combinação de um quase monopólio, interesses escusos e um algoritmo inescrutável pode ser uma coisa perigosa para os usuários de internet, uma vez que lhes permite influenciar o que vemos, conhecemos e compramos. A Amazon, que de boazinha só tem o nome da floresta, tem aumentado drasticamente a potência de seus golpes na batalha com a Hachette, um dos seus fornecedores, não só mostrando os produtos da empresa como indisponíveis em diversos casos, mas também fazendo com que eles sejam mais difíceis de serem encontrados na loja. Tudo isso só porque eles não chegaram a um acordo sobre margens de lucro, demanda e oferta. Pressão sobre as vendas da empresa fornecedora para que ela aceite seus termos do acordo. Este é um exemplo claro de um grande varejista online mostrando seu poder a todos ao redor, simplesmente porque ele pode. Típico comportamento de tática monopolista.

Google

O gigante das buscas é o rei do algoritmo patenteado e misterioso. Nos mostrou mais uma vez porque ele pode ser perigoso pra você caso não vá com a sua cara depois que o fundador do Metafilter, Matt Haughey, descreveu em detalhes como que a sua comunidade online – conhecida por um conteúdo de alta qualidade – teve um forte declínio de tráfego (em torno de 40%) após uma atualização do algoritmo de indexação do Google. Não só a maior parte do seu tráfego mas também a maior parte de sua receita de publicidade vem do Google. Conclusão: o Metafilter teve que demitir quase metade de sua equipe.

monopólio game

Facebook

O Facebook é o mágico Mister M das redes sociais. Faz as coisas aparecerem e desaparecerem como num passe de mágica. Determina o que é compartilhado e o que recebe tráfego. É criticado por fazer posts, de interesse jornalístico sobre coisas como a guerra na Síria, simplesmente desaparecerem, com pouca ou nenhuma explicação sobre o porquê disso. O Facebook não é uma empresa como a Amazon ou o Google (pelo menos não ainda), em parte, porque a ideia de uma plataforma social é mais nebulosa do que pesquisa ou ebooks, e por isso é difícil de acusá-la de ter um monopólio sobre qualquer coisa. Mas, ao mesmo tempo, desempenha claramente um papel importante na condução dos usuários para determinados conteúdos e seu algoritmo é tipo Google-like, no sentido de que nós não sabemos praticamente nada sobre como ele funciona, ou por que ele prefere um tipo de conteúdo a outro. Isso faz com que o Facebook seja quase tão ruim quanto os jornais costumavam ser.

Nós e o monopólio

Ante o exposto acima, qual atitude devemos tomar como cidadãos do mundo e consumidores dessas empresas? Vejamos caso a caso. Você pode parar de usar o Facebook, mas isso não vai fazer com que um bilhão de outras pessoas ou mais parem de usá-lo, e, portanto, isso não vai impedi-los de clicar no que o Facebook decide que é interessante ou não para elas, e direcionar o tráfego para esses ou aqueles sites, e, assim, ajudando a determinar quem vai viver e quem vai morrer. Ao contrário do Google ou da Amazon, não há mesmo muito a fazer para a defesa da concorrência, porque não é claro o mercado que o Facebook domina.

No caso do Google, você pode usar motores de buscas alternativos como o DuckDuckGo. Mas isso também terá pouco ou nenhum efeito sobre o domínio do Google ou o sucesso ou fracasso de sites como o Metafilter. Você também pode escrever para o seu deputado federal. Se é que ele ainda lembra de você.

E por último, o que fazer contra a Amazon? Para ser honesto, nada. Procurar comprar livros de outros varejistas é uma maneira de lutar contra o comportamento da Amazon. Mas muitas outras lojas online não possuem o que a Amazon oferece. Em parte porque a concorrência da Amazon forçou-os a cortar os produtos que eles tinham. E por outro lado, não vendem livros para o Kindle, que é um excelente leitor de livros digitais.

Estas empresas não estão sozinhas. A Apple também proíbe aplicativos e serviços em sua plataforma. Logo, podemos pensar sobre as repercussões do uso das plataformas proprietárias gigantes que confiam a nós, e talvez dirigir parte do nosso tempo ou atenção ou recursos financeiros para outras pessoas, na esperança de que a competição seja incentivada. O mundo da tecnologia fica sempre entre a concorrência e o oligopólio (ou monopólio). Tudo o que podemos fazer é tentar ajudar a balança a pender para um dos lados.

Helbert Rocha

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  • Francisco Ary Martins
    Unknown Unknown no Unknown Unknown

    Uma interessante tendência, na esteira do Block Chain do BitCoin, são os Smart Contracts (Ver Ethereum) e sistemas distribuídos com descentralização no estilo implementado no protocolo do BitTorrent. Os modelo de negócio dos sistemas centralizados pode sofrer uma debacle em favor deste novo modelo com origem na comunidade CipherPunk.