O que mata o desktop Linux

Faz tempo que venho acompanhando o aumento da adoção de novos aparelhos como tablets e smartphones pelo grande público analfabeto digital. Isso fez com que eu me perguntasse: por que eles não usam Linux, se conseguem usar o Android, o iOS, ou até mesmo o Windows Phone? Essa pergunta é tão simples de responder e ao mesmo tempo tão constrangedora, que boa parte da comunidade Linux prefere ignorar. Usabilidade é a resposta.

Usabilidade

Para começar, olhe para as vendas de tablets. Estimativas dizem que haverá mais vendas de tablets do que de PC’s até o final de 2013. Por muito tempo, muitos na comunidade Linux atribuíram a falta de adoção do Linux no desktop devido à inércia. “Os usuários do Windows não irão mudar. Velhos hábitos demoram a morrer”. Se isso é verdade, por que os tablets – que quase que exclusivamente não executam Windows – são capazes de ter sucesso?

Os tablets estão focando no ponto fraco da indústria de PC’s: usuários domésticos. Estas são as pessoas que não se preocupam particularmente se têm o Microsoft Office ou não. Eles não se importam se o seu emulador funciona perfeitamente. Eles só se preocupam com a usabilidade, e eles só se preocupam com o conteúdo.

Usabilidade nunca foi um ponto forte no Linux. A instalação melhorou mas quando as coisas vão mal ainda é um pesadelo. Você já viu a lista de programas padrão na maioria das distros? Gwibber e Gimp podem até ser programas bons mas esses nomes não significam nada para um novo usuário não iniciado no software livre.

O conteúdo é ainda mais terrível. Eu não sou fã de DRM, mas nós criamos um ambiente tão hostil para os criadores de conteúdo que nenhuma empresa de mídia vai se interessar pelo Linux. Seria fantástico se eu pudesse assistir ao Netflix, como eu posso em todos os outros dispositivos que possuo. É um problema no lado do software também. Jogos de alta qualidade são cruciais para o apelo de uma plataforma.

Boas novas

Há boas notícias também. Apesar de todas as críticas, acho que as coisas estão indo na direção certa. Temos o Gnome 3 e a Valve que está portando alguns de seus jogos para Linux. Tudo isso servirá de arma contra a “catástrofe” que é o Windows 8. Se as coisas correrem bem, tudo isso pode ajudar a convencer os outros desenvolvedores a seguirem esses exemplos.

Falando em Windows 8, é uma mudança tão radical que poucos usuários de PC o adotarão no momento. Esta é uma grande oportunidade para o código aberto. Mas ainda há muito trabalho a se fazer.

Helbert Rocha

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