Software livre: um bem social

Software livre é coisa séria. Quem pensa que Linux e software livre é ideologia boba de adolescente que não tem o que fazer está muitíssimo enganado. Além de ser um conhecimento muito valorizado pelo mercado de trabalho para a gestão de servidores, também é um estilo de vida que inclui valores políticos, morais e filosóficos. Vejamos como isso se desenvolve.

Valores

Em um mundo carente de valores morais e éticos, a questão do software livre vem para ser mais uma das fontes de contestação da realidade em que vivemos. Abrange direitos como a liberdade de expressão e cidadania. Provê uma liberdade para aqueles que usam, particulares ou departamentos governamentais. Na educação, uma oportunidade de ensinar e aprender ciência da computação de forma ética e holística para expandir o potencial futuro do país através da incorporação de conhecimento útil e treinamento de habilidades para o domínio total da computação. Mas, principalmente, a filosofia e a ética do software livre dá a possibilidade de construção da cidadania em relação às novas tecnologias, um profundo conhecimento das tecnologias que determinam muitos dos processos de nossa vida diária, como as nossas comunicações. Usar e distribuir o software livre é uma questão ética. É entender e promover o bem social, é participar de um movimento que entende que o conhecimento é compartilhado pelo bem comum.

Monopólio do conhecimento

Construir alternativas é uma das formas de acabar com os monopólios de informação. É perigoso o nível de concentração em áreas como motores de busca ou plataformas de redes sociais, por exemplo. Temos de criar e usar outros meios. Por isso a necessidade de sistemas operacionais diversos, tais como o Linux. Por outro lado, devemos exigir que os Estados apliquem as leis de defesa da concorrência, privacidade de dados e proteção dos consumidores para regulamentar e colocar limites nos níveis de concentração enormes que estão sendo gerados de uns anos para cá. Devemos saber que a concentração dos meios nunca foi saudável para qualquer sociedade. Porque a sociedade que não tem alternativas tecnológicas se torna escrava da tecnologia vigente. E é justamente isso que muitos cidadãos não enxergam quando se fala em software livre. Preferem acreditar que se trata de brincadeira de nerd/geek.

Solução

As universidades, especialmente as públicas, têm o dever de produzir conhecimento socialmente útil e torná-lo público. Isto em ciência da computação só é possível a partir do uso do software livre. O Estado tem responsabilidades para com seus cidadãos a serem cumpridas em tecnologia da informação. Deve ser aplicado rigorosamente o uso do software livre para ajudar em matérias como auditabilidade pública e transparência, proteção de dados dos cidadãos, soberania e independência. Há muitas áreas em que o Estado não pode e não deve ser vinculado a uma empresa de software proprietário para que ela não domine a infra-estrutura de TI da administração pública. O mesmo se aplica na área privada e pessoal. Você não nasceu para ser escravo de empresa nenhuma. Você nasceu para ser livre e aprender além daquilo que as empresas querem que você saiba. Não se limite ao software proprietário. Busque alternativas pois existe um mundo lá fora. Use software livre.

Helbert Rocha

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