Ubuntu e Debian: conheça suas diferenças

Muitos de nós já pesquisamos bastante sobre o Ubuntu e o Debian. Afinal, Ubuntu e Debian são os dois sistemas operacionais Linux mais populares do planeta. Para acabar de vez com tanta dúvida acerca das diferenças entre eles, resolvemos elaborar um guia de estudo completo onde iremos abordar várias partes dos dois sistemas. Desde quando iniciamos o MeuPinguim, sempre fomos reconhecidos por sintetizar muito bem as informações de forma que qualquer iniciante no Linux podia comandar facilmente no terminal seus interesses e obter as suas soluções de forma rápida e prática. Porém, não é o que tentaremos fazer aqui. Dessa vez, tentaremos explicar muito bem as diferenças entre o Ubuntu e o Debian para que todos os iniciantes em Linux conheçam de forma profunda o tema e possa recomendar esse artigo aos demais iniciantes. Vai ser gratificante ler até o final.

Ubuntu e Debian

O Ubuntu é um sistema operacional Linux completo e disponível livremente. A comunidade Ubuntu foi construída a partir das idéias consagradas no Manifesto Ubuntu: o sistema deve estar disponível gratuitamente, deve ser utilizável por pessoas em sua língua local e que as pessoas tenham a liberdade para personalizar e alterar o sistema da maneira que achar melhor. “Ubuntu” é uma palavra africana que significa “humanidade para os outros” e a distribuição traz esse espírito Ubuntu para o mundo do software.

O Projeto Debian é uma associação de indivíduos que têm como causa comum criar um sistema operacional livre. Este sistema operacional é chamado Debian GNU / Linux, ou simplesmente Debian. Sistemas Debian atualmente usam o Kernel Linux, software criado por Linus Torvalds e apoiado por milhares de programadores em todo o mundo. Ele vem com mais de 20 mil pacotes (softwares pré-compilados) e todos eles são livres. É como se fosse uma torre. Na base vem o Kernel e em cima todas as ferramentas básicas. No topo da torre vem o Debian cuidadosamente organizando e ajustando tudo para que tudo funcione em conjunto.

Filosofia

Ubuntu

O Debian foi a rocha sobre a qual o Ubuntu foi construído. Um projeto de voluntariado que desenvolve e mantém um sistema operacional GNU/Linux. O Ubuntu é um projeto open source que desenvolve e mantém uma multi-plataforma de código aberto baseado no Debian. Inclui o Unity, uma interface de usuário para smartphones, tablets e PC’s. Upgrades são liberados a cada seis meses e o suporte é garantido pela Canonical em até cinco anos. A Canonical também fornece suporte comercial para implantações do Ubuntu em desktops, servidores e na nuvem. O Ubuntu baseia-se nos fundamentos da arquitetura e infra-estrutura do Debian, mas há diferenças importantes. Tem sua própria interface de usuário, uma comunidade de desenvolvedores em separado (embora muitos desenvolvedores participem de ambos os projetos) e um processo de liberação diferente.

A Canonical é uma empresa privada sediada no Reino Unido fundada e financiada pelo empresário sul africano Mark Shuttleworth para comercializar o suporte comercial, serviços e projetos relacionados ao Ubuntu. Emprega pessoal em mais de 30 países e mantém escritórios em Londres, Boston, Taipei, Montreal, Xangai, São Paulo e na Ilha de Man.

Debian

Provavelmente, a principal coisa que distingue o Debian de praticamente todos os outros sistemas operacionais no planeta são as políticas do Debian, que é o que impulsiona o famoso controle de qualidade do Debian. O Ubuntu não tem nada parecido com isso, e seus lançamentos são visivelmente bugados. Já o Debian é difícil de ser batido nesse quesito. Os desenvolvedores do Debian são voluntários com pouco tempo livre, mas são muito simpáticos e prestativos. Além disso, o Debian é completamente dedicado ao software livre, o que pode causar muita inconveniência. Em contraste, o Ubuntu/Canonical tem uma atitude muito mais relaxada em relação ao software não-livre.

Canonical e Microsoft

Todos sabem que a Microsoft, em particular, faz promoções com fornecedores e mantém segredos comerciais que tornam difícil o acesso ao Linux e não valoriza a liberdade dos utilizadores. Porém, em comparação com a Canonical no que tange à colaboração ao Kernel do Linux, a Microsoft é mais pró-Linux do que a própria Canonical que se utiliza do Kernel para fazer o Ubuntu mas nunca meteu a mão na massa de fato para colaborar com o desenvolvimento do sistema. No ano de 2012, segundo dados divulgados pela Fundação Linux, a Microsoft apresentou 688 alterações, 1% do changelog geral. Uma política que podemos até chamar de ingrata essa da Canonical, não?

ubuntu e debian fuck it

Repositórios

PPA’s

Existem razões pelas quais você pode querer adicionar outros repositórios ao Ubuntu. Para tal, foram criados os PPA’s (Personal Package Archive) que são repositórios extras para o Ubuntu, ou seja, criados por qualquer pessoa que possam conter softwares mais atualizados ou não existentes nos repositórios padrão do Ubuntu. Sugere-se que sejam utilizados com moderação pois os mesmos podem quebrar o sistema e criar vulnerabilidades de segurança. Uma coisa a se ter em mente sobre o uso de PPA’s é que, quando você adiciona um PPA para suas fontes de software, você está dando acesso administrativo (root) para todos que podem fazer upload para aquele PPA. Pacotes do PPA têm acesso a todo o seu sistema à medida que são instalados (como um pacote normal do Ubuntu), por isso sempre desconfie de um PPA antes de adicioná-lo ao seu sistema. Os PPA’s são a principal diferença entre o Debian e o Ubuntu nesse quesito.

Segurança

Primeiramente: não existe 100% de segurança. Uma certa quantidade de risco, mesmo que pequeno, é inevitável. Mas tanto para o Debian quanto para o Ubuntu, não tem necessidade de instalar um antivírus. Explico. Vulnerabilidades exploráveis de segurança podem aparecer em qualquer sistema operacional e em cada aplicação. Também no Linux. Destes você estará protegido pelas atualizações. O Ubuntu realiza automaticamente uma verificação diária para atualizações de segurança disponíveis. Por isso, é importante instalar as atualizações de segurança propostos imediatamente, se você quiser manter o seu sistema o mais seguro possível. Uma vez descoberta rapidamente e reparada rapidamente, uma vulnerabilidade não é um grande problema. É difícil instalar um vírus em um computador Linux, mas certamente não é impossível. O maior perigo reside em repositórios de software não-confiável e em algum código inseguro que um administrador descuidado execute. No Linux, um usuário normal tem permissões muito limitadas. Por exemplo, um usuário normal não pode executar tarefas administrativas. E assim, o escopo deste usuário é realmente limitado à sua pasta própria. Para instalar softwares, ele sempre precisa ser root (ou ter direitos de root temporários, que é o que faz o Ubuntu). No Debian, a segurança é ainda maior, haja vista o sistema possuir pacotes mais obsoletos e possuir um ciclo de atualizações bem mais lento em comparação ao Ubuntu. Portanto, quando instalamos um sistema Debian podemos ter a certeza que esse sistema foi testado e retestado centenas de vezes antes de chegar até à sua casa.

Comunidade

Para muitos usuários as questões técnicas são provavelmente a principal preocupação na escolha de uma distribuição. No entanto, para os usuários mais experientes, as comunidades e como elas funcionam pode ser igualmente importante. As interações na comunidade Ubuntu são regidas por um Código de Conduta, que é geralmente bem sucedido, garantindo que as discussões sejam educadas e construtivas. No mínimo, o código fornece uma medida de comportamento esperado que pode ser mencionado quando as discussões ameaçam sair do controle. Por outro lado, a comunidade Debian tem uma reputação de ser mais agressiva. Por vezes alguém é hostil com as mulheres e novatos em geral. Este ambiente tem melhorado nos últimos anos, mas ainda pode incendiar-se. Uma razão para isso é que a atmosfera do Debian é uma meritocracia institucionalizada. Embora não-desenvolvedores possam escrever a documentação, erros de teste ou ser parte de uma equipe, tornar-se um completo Desenvolvedor Debian é um processo exigente em que os candidatos devem ser patrocinados por um desenvolvedor existente, e repetidamente provar a sua competência e compromisso.

Por fim, a diferença entre as comunidades Debian e Ubuntu encontra-se em seus valores fundamentais. Apesar de ser menos importante do que alguns anos atrás, o Debian continua sendo uma distribuição baseada na comunidade, dedicada aos seus próprios conceitos de liberdade e democracia meritocrática, mesmo à custa de uma tomada de decisão rápida. Já o Ubuntu, no entanto, é mais hierárquico do que o Debian e porém mais aberto do que a maioria das empresas de alta tecnologia.

Terminal

O Ubuntu e o Debian têm o mesmo sistema de shell (dash) e o mesmo shell de usuário padrão (bash, como quase todos os sistemas operacionais GNU / Linux). A maioria, se não 99% dos comandos de linha de comando funcionam da mesma maneira tanto no Ubuntu quanto no Debian, uma vez que o Ubuntu é um Debian com grandes diferenças no que diz respeito à experiência diária do usuário. Você vai naturalmente encontrar, por exemplo, o aptitude instalado no Debian mas não instalado no Ubuntu. O mesmo acontece com os comandos que são apenas do Ubuntu, como o ubuntu-bug. Mas, em geral, o que você aprende no Debian pode ser aplicado em qualquer uma das distros que dela derivam. Com isso em mente, a maioria das coisas relacionadas com o terminal que você aprendeu no Ubuntu, Kubuntu, Lubuntu, Xubuntu, Linux Mint Debian ou qualquer outra distro derivada, valerá também para o Debian.

Pacotes

A maioria dos pacotes de código fonte em todos os componentes do Ubuntu são copiados sem modificação a partir do Debian. Em alguns casos, um mesmo software é empacotado separadamente no Ubuntu e no Debian, embora isso deve ser evitado a menos que haja uma razão justificável para o fazer. Ao contrário do Debian, no Ubuntu os pacotes geralmente não têm um mantenedor designado. Assim, todos os pacotes no Ubuntu são mantidos por equipes. Pacotes dos repositórios Ubuntu principal e restrito são mantidos pela Equipe de Desenvolvimento Ubuntu Core, enquanto pacotes do Ubuntu universo e multiverso são mantidos pela Equipe de Desenvolvimento Ubuntu. Se você precisar discutir uma alteração específica, terá que cutucar a última pessoa que modificou o pacote. Em muitos dos pacotes no repositório principal o pessoal do Ubuntu tem boas relações de trabalho com o mantenedor no Debian, que está envolvido com o núcleo de desenvolvimento do Debian. E muitos desenvolvedores voluntários são ativos em ambos os lados, Debian e Ubuntu. Em alguns casos funciona muito bem ter os desenvolvedores do Debian e Ubuntu compartilhando a manutenção do pacote. Ao usar um repositório de código fonte comum, os desenvolvedores do Ubuntu podem aplicar diversas correções de bugs diretamente ao ramo Debian e depois é só integrar a correção para o ramo Ubuntu. Por razões óbvias, isso só pode acontecer em um número muito pequeno de pacotes/mantenedores. Mas acontece.

Ciclo de atualizações

Debian

Recapitulando, existem diferenças fundamentais entre Debian e Ubuntu. O Debian concentra esforços na estabilidade e não tem uma empresa com fins lucrativos por detrás. O Ubuntu foca na facilidade de utilização (“Linux para seres humanos”) em detrimento de alguma estabilidade conservadora e tem uma empresa com fins lucrativos por detrás (Canonical). O Debian possui um ciclo de lançamento muito lento. Por exemplo, o Debian 7 que foi lançado em 2013 estava em produção desde 1996! A filosofia geral por trás de um ciclo de liberação tão lenta é a promessa de que, quando cada versão finalmente sai, tudo nela funcione perfeitamente e não haja problemas quando o usuário instalar pacotes. A esperança é que o sistema funcione sem problemas até que (pelo menos) a próxima versão do Debian seja lançada, que é geralmente um ano ou mais a se perder no futuro. A lógica por trás dessa filosofia de desenvolvimento muito conservadora é que ela crie sistemas sólidos, de modo que se alguém quiser montar um negócio com um servidor linux, ele possa configurar tudo apenas uma vez e seja executado sem problemas ou necessidade de qualquer atualização por um longo tempo. Para a maior parte dos usuários do Debian esta filosofia funciona.

Ubuntu

O Ubuntu tem um ciclo de lançamento que é pelo menos três vezes mais rápido que o Debian. Porque esses lançamentos são apoiados por uma empresa com fins lucrativos (em outras palavras, eles têm pessoas que ganham dinheiro na manutenção de software) e ela é capaz de trabalhar mais para testar novos desenvolvimentos podendo colocar para fora versões estáveis em um ritmo muito mais rápido. O Ubuntu não é, contudo, necessariamente o melhor caminho se o seu objetivo é obter as últimas atualizações para absolutamente tudo que você instalar no Linux. É uma boa opção se você quiser um sistema fácil de usar caso você seja um novato absoluto no linux. Mas há outras distros voltadas para iniciantes também.

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Servidores

A diferença é que há um servidor Ubuntu, mas não um servidor Debian. O servidor Ubuntu já vem com uma variedade de pacotes pré-definidos pelos mantenedores, mas o Debian deixa essas escolhas para o administrador do sistema. O Debian é bom para servidores principalmente porque é considerado extremamente estável. Isto significa que alguns pacotes são muito antigos. Mas algumas pessoas afirmam que o Debian é difícil de configurar e na maioria das vezes elas estão certas. Se você é uma pessoa que quer configurar tudo do seu jeito, procure outra distro. Então façamos a pergunta: qual é a melhor plataforma para um servidor de uso profissional? Devemos mencionar que em um sistema que é fácil de manter e gerir há uma menor probabilidade de um administrador de sistema cometer um erro que comprometa a segurança ou a estabilidade. E isso é o principal fator de segurança que um servidor tem de ter. Em contrapartida, o Debian tem o hábito de introduzir lançamentos lentamente. Então muitas vezes você vai ter versões mais antigas do software no Debian, mas eles são bem testados e estáveis. Isso é bom para um ambiente de servidor. Já o Ubuntu Server é mais bleeding edge, logo, com mais chances de esbarrar em bugs. It’s all your choice!

Gestor de janelas

Ambos Debian e Ubuntu são distros centradas no GNOME. Embora cada uma suporte uma ampla variedade de outras áreas de trabalho, incluindo o KDE, Xfce e LXDE, eles tendem a ser de importância secundária. Por exemplo, levou semanas para a Debian produzir pacotes para o KDE 4.4, enquanto o Kubuntu, lançamento do KDE no Ubuntu, recebe pouca atenção nos esforços do Ubuntu em melhorar a sua usabilidade. Embora seja um bom sistema mesmo assim. Mas tudo mudou em 2010 com a chegada dos smartphones e tablets. O Ubuntu que até então usava com sucesso o GNOME, migrou tudo para o Unity. Um shell gráfico para o GNOME desenvolvido pela própria Canonical. O Unity estreou na edição netbook do Ubuntu 10.10. Ele foi inicialmente projetado para fazer uso mais eficiente de telas de tamanho limitado. Foi uma mudança drástica que resultou na perda de muitos usuários que ficaram insatisfeitos com a mudança porque aquele momento era o auge do Ubuntu juntamente com o projeto GNOME, que pela sua facilidade estava conseguindo cooptar muitos novos usuários insatisfeitos com o Windows Vista. Anos mais tarde, esses usuários que migraram na sua maioria para o Linux Mint deram a essa distro o posto de melhor distribuição Linux para iniciantes, já que o Mint não repetiu os erros do Ubuntu e foi muito mais prudente nas escolhas que fez. Hoje temos esse quadro: Ubuntu e Unity ainda tentando se estabelecer em múltiplas telas e o Debian firme nas suas convicções com o GNOME.

Conclusão

Tanto o Debian quanto o Ubuntu são distribuições Linux gratuitas que usam o sistema de gerenciamento de pacotes APT. O Ubuntu baseia-se nos fundamentos da arquitetura e infraestrutura do Debian, com um processo de comunidade e de liberação diferente. Foi criado com um desejo expresso de tornar o Linux mais acessível para usuários médios. Como tal, criou interfaces mais limpas, melhor suporte para mídias e um processo de instalação mais fácil. Devido a esta facilidade de uso tornou-se rapidamente a distribuição Linux mais usada com um número estimado de 20 milhões de usuários em todo o mundo. O Debian é uma distribuição Linux robusta, segura e poderosa. Não é exatamente projetada para os novatos no Linux. Sua comunidade de desenvolvedores tem trabalhado incansavelmente nos últimos anos para fazer o processo de instalação e configuração básica mais fácil, mas ainda é trancos e barrancos longe da usabilidade do Ubuntu. A comunidade é provavelmente a maior diferença entre os dois sistemas. Os fóruns do Ubuntu são mais acessíveis aos recém-chegados, enquanto os fóruns Debian são mais técnicos. Se a facilidade de uso é uma preocupação sua, vá com o Ubuntu. O Debian tem seus pontos positivos, mas carisma não é um deles. Por outro lado, usuários avançados e administradores adoram o minimalismo do Debian. Dois grandes sistemas, dois sabores, duas essências, mas um só coração: Linux.

Helbert Rocha

Business & Linux Admin | Digital Mkter | Live in Rio | Love Jesus
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